Friday, August 5, 2011



triste, é assim que me sinto.

sozinha, é assim que estou.

doí-me o coração, sinto um aperto no estômago. desejo o fim indesejado, desejo o ponto final em vez de reticencias, quero acabar com tal dor, tal sofrimento desnecessário.

quero deixar de sentir tal sentimento, quero bloquear a minha alma.

.....

em tempos não muito longincos pedi a Deus que morresse, pedi que meus pulmões deixassem de respirar, que minha boca deixasse de pedir alimento e que meus olhos deixassem de ver. mas Deus, esse sacana filho da Puta em vez de me tirar a vida, de entregar a minha alma ao diabo, fez me encantar de novo, fez-me acreditar que agora sim poderia tudo ser diferente, mas foi esperto este diabólico espécime, foi calmo e cauteloso, fez com que meu coração gélido aos poucos fosse descongelando, fez-me acreditar que podia ser tudo diferente, tudo melhor. Mas engano-me esse estupor, fez com que mais uma vez me banhasse na merda, que meu sangue esvaísse de forma lenta e vagarosa.

assim estou eu numa amarga melancolia, dor que tentei ao máximo evitar, não me deixei quebrar, não verbalizei sentimentos, desejos nem tormentos, mantive-me calma, serena e esperar, e tudo isso para quê?

Para ser gozada, enxovalhada, mal tratada, desprezada, desrespeitada, atormentada, outros adjectivos que nem no nosso vasto vocabulário existem.

odeio-te, odeio-te, odeio-te pelo que me disseste, pelo que me fizeste, pelo que pensaste e insinuaste. pedi-te que me deixasses, pedi que parasses e mesmo assim continuaste com o teu jogo sem nexo, com o teu jogo sem propósito. Odeio-te, apenas peço-te, deixa-me e devolve-me a merda do... .

Monday, February 7, 2011

nao foste talhada

Morre, apenas isso
morre, livra tua alma do teu corpo.
livra tua alma dos teus tormentos.
livra-te da solidão constante.
livra-te dos apoios falsos e sem verdade.
baseia-te nos teus romances, onde há mortes e infortúnios.
esquece as series, os romances e os filmes.
o amor não te vai bater a porta
tu nunca amaras, nunca será amada
esquece e não culpes, apenas não foste talhada.
tenho saudades tuas, muitas mesmo

Saturday, February 5, 2011

perturbaçoes mentais

Ansiava por te ver, por te tocar,

mas não podia, estavas longe, bem longe de mim, bem afastado.

Metros, km nos separavam, me faziam sentir só, abandonada.

Não sabia o que pensar, não sabia o que fazer, não sabia o que raciocinar,

se um futuro próximo feliz, se um futuro distante encantado

ou recordar este presente atordoado e macabro,

onde a tua ausência é como facadas no meu peito,

como um mexer inquietante das minhas entradas,

ou uma simples dor de cabeça que esgana, que corrói e que enche a minha mente.

Que posso eu penar? Que posso eu fazer?

Ai, dói-me a mente, dói-me o coração,

minha barriga mexe como se tivesses traças e não borboletas.

Que posso eu fazer? Que posso eu pensar?

Estas longe e não respondes às a minhas falas,

não há retorno das minhas chamadas,

não há forma de saber o que pensas o que queres ou o que esperas.

Ai, será que posso continuar assim?

Neste tormento de ignorância, nesta confusão sentimental,

nesta gripe de melancolia ou neste extasie aterrorizador.

Choro nas noites de chuva,

Choro nas noites de verão,

Choro quando quero, choro quando posso.

Sorrio no meio das lágrimas, espera desflorestar no meu ser,

Sorrio durante a angustia.

Será loucura, esperança, delírio ou conforto?

Já não sei o que se passa na minha mente,

Já não sei o que escrevo,

Já não sei o que penso.

Louca, maluca, doidivanas, sonhadora, parva ou ingénua.

Como me classificam, como me defino, como sou?

Um ser, uma mulher, um sonho e um desejo.

Saturday, January 15, 2011

André o pequeno traquina


Lá seguia o pequeno malandro, André, cabelo esgadanhado, dentes espaçados e cara sempre rosada das correrias e pulos. Joelhos feridos pelas futeboladas, arranhões nos braços por trepar árvores e arvoredos. Mas sempre sorridente, sempre feliz com as suas aventuras na sua terra e nas suas viagens imaginarias pelos prados encantados, mares perigosos e céus trovejantes.

- ANDRÉÉÉÉ! Hora do jantar. Chamava sua mãe pela janela da cozinha.

Lá está ele, entretido no seu quintal acompanhado pelo sua ajudante Jacinto, seu amigo e companheiro de quatro patas, peludo albino malhado de castalho torrado e de porte forte e arrojado.

- Jacinto, traz-me essa pá, temos de escavar.

-Urf. Resposta canina mas muito bem compreendida pelo pequeno iletrado, sabedor de muitas línguas, domino verbal, ouvidos tuberculosos e linguagem gestual ágil e versátil.

Um Sr. com palavra, auto-intitulava-se assim, mas a verdade era mesmo essa, apesar de ter uns simples e pequenos quatro anos já dominava a língua como um Sr. antigo estudioso de gramáticas e vocabulários.

Todas as noites, mesmo ainda em ovo não chocado, ouvia histórias de encantar por sua mãe que o entretinha e tentava-o acalmar, sempre a pontapear e rebolar no ventre de sua pobre mãe.

Estava habituado a palavras elaboradas, adjectivos e complementos verbais. Era um ás nas palavras, na expressão de sentimentos de definições de objectos, lugares e saberes.

- André! Não te volto a chamar. Ai o tom de sua mãe já era mais sério e já se encontra na porta de acesso ao quintal.

- Que te disse eu minha mãe? Não te pedi que não entrasses no meu território?! Estamos em investigações perigosíssimas, estamos a procura do túmulo da múmia faraó.

- Não estamos um pouco longe do Egipto? Perguntou sua mãe fingido alinhar na brincadeira.

- Tu não estas perto, estas longe por sinal, ai nos degraus da cozinha, estas na Europa, pequena e fria sem histórias antigas. Eu estou no deserto do Saara, onde as histórias são imensas, onde as munias ganham vida, onde os gatos são guardiões e as areias movediças.

- Vá, acabou a brincadeira, vai mas é lavar as mãos e depois mesa, está na hora do jantar.

- Mas minha mãe….

- Xiu, já mandei, quando começas com esse palavreado é sinal que queres rambóia e brincadeira, mas agora esta na hora de comer, depois do jantar podes continuar a tua outra aventura. Sua mãe também era expressiva e o seu regalar de olhos e tom acentuado fez o recordar a sua outra aventura, não em terras movediças mas nos Alpes no meio do verde e em busca do Big Foot.

- Jacinto! Preciso que guardes este túnel, não deixes que nenhuma múmia saia daqui e não deixes que ninguém entre aqui, é perigoso. Conto contigo Jacinto. Dizia a criança agachada com ar de seriedade e imposição e seu dedinho indicava ordem e respeito. O São bernardo sentado com seu rabo a dar a dar ouvia com entusiasmo e ladrou como forma de mensagem recebida.

- Muito bem jacinto, sabia que podia contar contigo.

Correu em direcção a sua mãe e abraçou-a com carinho.

-Gosto muito de ti mama.

O Jantar foi animado. André contava as suas aventuras do dia ao seu pai que tinha a pouco vindo do trabalho. Mas este não só falava das suas aventuras fantásticas onde o seu era laranja, a relva rosa e as nuvens algodão doce, este também se preocupava com o seu pai, queria saber das suas aventuras e lavouras.

- Então pai e o teu dia? Monótono ou com loucuras de computadores e engenhocas?

Seu ar era de curioso, ansioso por saber, seu olhar era regalado. Olhos grandes, redondos e castanhos, castanhos como carvalho, intensos mas sem enganos, suas pestanas longas e redondas, emolduravam o seu olhar gigante. Sua tez era pálida, mas não doente, tinha apenas a brancura de um príncipe nórdico, seu rosto quadrado de maxilar já másculo mostrava ar de rapaz forte e acelerado, mas suas bochechas ainda de bebe menino davam graça e encanto, vontade de as apertar, o que era complicado na presença de sua avó que o atormentava em abraços e beijos babados. Seu cabelo de ébano encaracolado dava graça e estava sempre despenteado.

- Bem André o meu dia hoje foi agitado. Então não é que um dos computadores que tinha para arranjar ganhou vida?!

- Sério, então e depois? Perguntou muito preocupado e espantado, até deixou cair a colher da sopa e assim sujar-se todo com pequenos pedaços de caldo verde.

- Então… para já fiquei assustado, não é normal um computador falar comigo não é verdade.

Depois de ter caído da cadeira e ter recuperado do susto…..

Ai a criança riu a gargalhada.

- Há há, caíste papa, acho que de coragem saí a mãe. Seu regalo era imenso, recostou-se para trás com orgulho da sua valentia mexendo no peito como se fosse um Lorde que combateu dragões.

- Então André, foi só porque fui apanhado de surpresa, mas logo me preparei, peguei no cabo da vassoura, pus o cesto na cabeça e aproximei-me da secretaria agachado. Mas logo vi que o computador não me queria fazer mal, estava apenas com muitas dores.

- Como se chamava?

- Lucy, era uma computadora.

- Sério? He he, e o que ela tinha?

- O dono tratava-a mal, o seu teclado estava dorido e já sem teclas, o seu rato desnorteado, não seguia bem a seta e estava sempre com a luz a piscar. A torre, bem nessa parte metia dó, coitada da Lucy, então não é que na boca, por onde se mete os cd’s estava la uma fatia de queijo?!

- Não posso. Diz a mãe metendo sua mão a boca espantada com tal brutalidade.

- Já viste André. Coitada da Lucy.

- Pois é mama, não compreendo como alguém pode fazer assim mal a um computador, aliás a uma computadora. Coitadinha. Mas papa ela já esta boa?

- Sim já, e ainda dei um raspanete ao João, dono da Lucy, disse-lhe das poucas mas boa.

- He he papa, tu e os teus raspanetes, olha que ainda fico com pena do João.

Os jantares eram sempre animados, o pai do André tinha sempre histórias fantásticas para contar, ou eram folhas que voavam pelo escritório, ou eram canetas que estavam doentes e vomitavam o balcão ou então clientes estranhos como o Sr. Claudiano, que tinha três olhos ou a Sra. Arlete que tinha um ouvido na barriga e para esta ouvir melhor tínhamos de berrar na sua barriga.

Mas os risos do André eram tão calorosos e cheios de vida que era inevitável contar histórias estranhas e cheias de sons, cores, gestos e loucuras.

Mal acabou de comer o seu ultimo gomo de laranja o pequeno jovem limpou sua boquinha e preparou-se para levantar.

- Bem, gostei muito da companhia, a conversa foi agradável, mas agora tenho de subir até aos Alpes, tenho um Big Foot por apanhar.

- Vai, mas antes de seguires viagem aconselho-te a lavar os dentes.

Subiu o banquinho, abriu a torneira, molhou a escovinha vermelha, meteu pasta de dentes e lavou os seus dentinhos com muito cuidado e jeito, de sorriso bem aberto em frente ao espelho e muito inclinado esfregou cada dente com muito cuidado.

Ao sair da casa de banho viu la uma mochila impermeável, abriu e viu uma lanterna de plástico, uma cordinha, termo para o café quente e uma peça de fruta de plástico.

- Obrigado mama. Correu até esta e agarrou-a de beijos e carinhos.

- Só quero que faças uma boa viagem.

- Sim Mama, vou fazer.

- Mas olha, não te esqueças….

- Sim eu sei, eu chego antes da hora de me deitar.

A aventura começou logo na saída da cozinha.

Estava vento, muito vento e frio, um pouco chuvoso também, mas o André respirou fundo e deu um pulo para fora da cozinha, quando sentiu os pés na terra abriu os olhos e viu montes, prados e serras, verde por toda a parte, estava frio mas o dia estava bonito, foi a cantarolar de cabeça erguida e sem companhia, mas logo o vento se tornou mais forte. De longe se avistavam umas nuvens negras e carregadas de trovoada e chuva bem molhada. Fechou seu corta-vento amarelo, abriu a mochilinha, tirou seu chapéu vermelho de abas largas e calçou suas galochas encarnadas.

- Agora estou pronto, não és tu sua chuvinha que me vais atrasar.

A chuva vinha com muita vitalidade, força e pujança, umas árvores de tronco grosso de 2m de diâmetro eram arrancadas da terra, via-se as raízes lutarem por terra firme, tentando se manter de pé e agarradas a terra. O André ainda tentou ajudar uma, de joelhos agarrou na raiz que o apertava com força e medo.

- Ajuda-me, ajuda-me, pedia a árvore por amparo.

- Estou a tentar, estou a tentar. Falava com esforço pois a força que fazia era muita, mas mesmo assim, sentiu a raízes cada vez mais solta e assim se foi, levada com o vento, foi a árvore gritando: obriiiiiiigadoooooooooooooo.

O André cansado só acenava a pobre árvore que voava sem destino.

Mas o vento não tarda estava acompanhado pela chuva, o que ia ser complicado, pois logo estaria a escalar uma montanha, a escada mais propriamente, mas com a chuva seria difícil, pois o vento já o deixava a cambalear e a andar aos ziguezagues, quanto mais ainda levar com agulhas de água enquanto tentava trepar.

Ao olhar para o cimo, para o pico avistou uma sombra e gritou: BIG FOOT!

A sombra parou pela chamada mas logo correu de fugida e medo do seu caçador.

- Vou-te apanhar disse o André com olhar cerrado, boca contraída e de punhos fechados.

Foi até a sua mochila e pegou na corda que outrora tinha apenas meio metro e era a velha corda do estendal, mas agora era um valente cabo de alpinista, comprida de 10 metros ou mais, algo imenso que quase não tinha fim. Amarrou-se ao dito cabo e seguiu a escalada, estava difícil a chuva estava cada vez mais forte e torvava-lhe a vista, pegou nos óculos que tinha no bolso de dentro do casaco: Obrigado mãe, sempre preocupada comigo.

Agarrava-se ao corrimão com força, como se fosse cair, a chuva era violenta e o vento nada amigo, gritava para ganhar força e alcançar o próximo rochedo, trepava com cuidado agarrava-se com força, mas uma pequena derrocada fez com que uma pedra pisasse sua mão e assim apenas suportado por uma mão estava alarmado, mas num instante ganhou força, deu balanço com os seus 18, 57 kg e conseguiu dar uso a sua outra mão, sorriu com vitoria e com novo animo chegou ate ao topo da montanha, caiu de exaustão e de respiração ofegante, mas o arfar e grunhidos do Big Foot num instante o chamaram atenção e quando se preparava para a perseguição.

- André, acabou a perseguição, amanha acabas a tua aventura.

- Mas mãe... seu ar de frustração.

- Vá lá filhote esta tarde e sabes que a vizinha da frente tem um bebe que precisa de dormir e já viste o que é ele estar a ouvir os gritos do Big Foot capturado!? Era chato.

- Sim tens razão, o Big Foot é muito barulhento, em pequeno muitas vezes não dormia com os gritos dele.

- Pois é, a mãe lembra-se.

Vai para o pé o do pai ver televisão e beber o teu leitinho enquanto a mãe vai-te abrir a cama.

- Visto já o pijama?

- Sim, anda cá.

Saltou para a cama e contava a sua aventura enquanto a mãe lhe despia a camisola.

Já com o seu pijama de riscas a menino crescido, camisola de abotoar, branco de listas cinza e azuis seguiu aos pulos até ao seu pai e sentou-se ao seu lado e ficou a olhar para o pai fixamente.

- Pai, quando eu for grande também vou ser assim tão alto como tu?

- Se comeres sempre tudo e não fizeres birras em relação aos brócolos.

- Mas eu não gosto de brócolos, aquilo faz-me cocegas na boca. Eu quero ser gigante como tu.

- Gigante, eu? O pai deu uma gargalhada.

- Sim, tu tens ai uns 3metros, és muito alto, a mãe ao pé de ti parece tão pequena, bem então a bisa avó, parece mesmo anã ao pé de ti.

- Pois o pai é um bocado alto, lá nisso tens razão, mas dai a ter 3 metros, isso é muito.

- Mas estas lá perto não está? Ai uns 2,83 m.

- Para ai, mais metro menos metro.

- Ok. Cruzou seus braços e ficou a ver a televisão com o pai. Estavam a ver um programa sobre dinossauros.

Pegou no leite que estava na mesa de centro e bebeu enquanto imaginava como seria viver na época dos dinossauros, estava apático, fixado na televisão mas não a via ou pelo menos não lhe prestava atenção. O Seu pai já conhecia o olhar e deixou-o viajar pelos pântanos e fugindo das patadas do Rex.

- Bem jovem, está na hora de deitar.

- Não tenho sono. Dizia enquanto esfregava o seu olho.

O pai pegou-lhe, barriga para baixo de braços e pernas bem esticados sentia o vento a passar pela sua face. O Pai levava-o a fazer uma viagem de vaivém, passava rente ao tecto, queda livre até ao chão, raspagem pelos quadros e roçar dos cortinados no rosto. Ria as gargalhadas o pequeno, futuro gigante. Sentia cocegas na barriga, era o seu pai a soprar com força na sua barriga ainda gordinha de ser pequeno. Aterrou em segurança na pista de aterragem, seus lençóis de listas grossas indicavam bem o caminho. Sua mãe já estava pronta para o aconchegar e deu um beijo bem apertado na sua testa e bochecha vermelhinha.

- Então e hoje quem conta a história, eu ou a tua mãe?

- Pode ser mãe, para ela não ter ciúmes. Disse sussurrando ao ouvido do pai.

- Então enquanto a mãe te conta a história eu vou passear com o Jacinto. Tomas conta da mãe?

- Claro, quando não estás cá, sou eu o homem da casa.

Despediu-se com um bom abraço do pai e preparou-se para a história de sua mãe. Adorava as histórias da mãe, eram sempre cheias de acção, duendes que sabem magia ou alguns passos de luta, fadas com asas partidas, feiticeiros velhos que ensinam a arte da magia a jovens como ele, reis que lutam contra seres estranhos e nomes estranho. “A minha mãe devia ter sido maria rapaz em pequena”, pensava muitas vezes, pois tanta agitação era estranha numa mulher, pelo menos era o que ele via no parque quando brincava com as meninas, que só querem fazer chazinhos e bolinhos ou então mudar as fraldas as bonecas, maçador achava ele. Mas a sua mãe brincava com ele na lama, enchiam balões de água e brincavam com os outros meninos da rua.

- “Era uma vez um duende de orelhas bicudas que adorava trepar árvores e meter-se com os pássaros que lá viviam, mas um dia um mocho grande, de cara achatada, de bico pequeno e arqueado já cansado de suas traquinices lançou-lhe um feitiço e este não só ganhou asas como recebeu um bico, sua pele ficou coberta de penas e sua voz ficou perdida….”

Caiu no sono, o dia tinha sido agitado, desligou-se a luz, recebeu um beijo carinho e a porta ficou encostada. O sono não era ainda pesado, imaginava o resto da história do pequeno duende que virará pássaro. Mas um som vindo do outro lado da janela chamou-lhe atenção, fechou o velho baú, cheio de utensílios de lutas e pesquisas e trepou o mesmo e assim em pontas espreitou pela janela, estava uma sombra a mexer no túnel do faraó. É verdade o Jacinto foi esticar as pernas e este Sr. aproveitou-se: Vou-te já apanhar caça tesouros.

Deu um salto enorme do baú e caiu sobre o tapete que derrapou quase até a porta e foi numa correria pelo corredor, sua mão logo apanhou o corrimão e deslizou até as escadas e descia-as de forma frenética, já não eram os Alpes de a pouco em noite tempestuoso. Ao chegar até a cozinha viu a sobra aproximar-se da porta da rua, seu olhar brilhou de adrenalina, lembrou-se do seu pai e da Lucy então foi até a despensa, pegou num tacho e na vassoura.

Do outro lado da porta seu pai limpava bem os pés da terra lameada, estivera a por tesouros para o André desvendar e ao abrir a porta deparou-se com o seu filho de pijaminha, ar valente, pegando na vassoura como se fosse um taco de basebol, seus olhinhos mal se viam por causa da panela enfiada na cabeça, sua boca cerrada num lapise gritou: VOU-TE APANHAR LADRÃO DE TESOUROS.

Correu sem medo em direcção do ladrão, protegia sua mãe mas o ladrão desviou-se a pegou-lhe ao colo e beijo-lhe o pescoço com muita força e amor. Era o seu pai, tinha afugentado o ladrão.

- Viste o ladrão pai?

- Sim vi, e ainda bem que cheguei a tempo, ele estava a pensar em entrar em casa, mas já sabes como sou, dei-lhe um valente raspanete.

- Ou seja ele já não volta.

- Não e já podes dormir descansado.

Mais uma vez foi deitado na cama e desta vez apaparicado pelo pai, virou o seu rosto, fechou os seus olhos e fui para a terra dos sonhos.

Saturday, December 25, 2010

Hipócrita és tu Natal, obrigas-me a ser simpática e fazer frete desnecessário, porque tenho eu de estar a fazer sala com os meus pais se nenhuma das partes assim o deseja, porque fingir que somos felizes quando no fundo nos odiamos, porque tenho eu de me endividar para dar uma prenda ao vizinho que durante todo o ano me chateio e berro a porta do elevador, porque tenho de inspirar fundo quando o meu lugar de parque esta ocupado. Porque tenho de fingir, porque tenho de enganar, quando o meu engano não agrada ninguém, porque são todos hipócritas e dizem gostar de tal data, quero um café não posso ir tomar, quero ir sair não posso porque esta tudo a fingir que é feliz e que adora tal data, data que entope as lixeiras com mentiras e falsidades, os miúdos não gostam do natal, gostam de prendas, apenas isso, mudei a data, eles não choram. Natal, mas que treta de data, esta mais que provado que jesus cristo não nasceu nesta data, e mais so por ele fazer anos vamos todos entupir em dividas, diabetes e mentiras? Não me parece correto, este dia é a celebração do sol, o renascer do mesmo, oferendas dadas a terra mae e não aos filhos ranhosos e birrentos, que simplesmente querem a ps3 e caso não receba grita que detesta o natal. O Natal oprime os carenciados, deixa-os triste neste dia, ainda mais que o normal, é uma farsa tal data, data de ricos que simplesmente decidiram arranjar mais uma razão para esbanjar dinheiro.
O Pai natal é da coca-cola, o pinheiro é nórdico, nos não comemoramos algo nosso, simplesmente mantemos uma farsa que apenas chateia, que mata, que sufoca, Merda de natal e pior tenho de ser politicamente correta, sabem que mais, merda de natal.

Wednesday, December 8, 2010

A NOSSA VALSA


Apareço lançada até ti, meus botins negros, simples bolados e compensados deixam meu pé robusto, pequeno, mas forte, meu caminhar torna-se pesado, gracioso mas agressivo, minha saia rodada de chifon curta de cintura subida não só marca minha cintura, expõe minha anca e mostra minhas pernas torneadas e elegantes. Meu casaco de pele, simples de motar curto e justo demonstra a voluptuosidade de meus seios, minha franja pesada meu cabelo apanhado, meu olhar intenso delineado de preto, minhas faces rosadas, minha tez pálida, meus lábios invisíveis mas apetecíveis, caminho de forma seria, mãos abrigadas do frio e olhar intenso, minha cabeça parece cabisbaixa mas meu olhar mostra força e adrenalina fria.
Hipnotizas-te com o meu olhar, teu olhar mostra confusão, medo tesão, desejo e receio. Tua boca semi aberta, queres falar mas o silencio é precioso, tua altura é muita, comparada com os meros centímetros, mas mostro-te força, mostro não ter medo, aproximo-me, ficando assim bem próxima de ti, olho-te com força, meu olhar brilha, não sabes se é amor, ódio, alegria ou tristeza, baralho-te e mostras isso sem medos, tentas-te recompor, fazes o típico jeito com a cabeça e a tua boca se fecha em forma de charme irresistível. sorrio para acompanhar tal jeito.
Dás um passo para a frente, sem medo e com elegância, afasto-me da mesma forma, rodas teu corpo em torno do meu mas conheço tal dança e não me deixo enganar, tuas mãos agarram minha anca e as minhas largam os bolsos e tocam-te nos ombros, balanceamos em forma de presságio de dança sensual.
Minha mão direita desce o teu braço, toca-te na mão e esta segue o caminho esperado, ergue-se deixando assim aberta a proposta dançante, não resisto e penso em te seguir, meu corpo apesar de parecer rijo balança ao ritmo do teu corpo, dois estilos, dois desejos, juntos finalmente, criando assim algo único e inédito.
Em redor há olhares, como é possível tal música ser seguida, como é possível dois corpos tão distintos se fundirem de tal forma graciosa, de forma desejosa e de forma intensa, tua mão dá-me ordem, que sigo de forma irreverente, viro-te as costas, sei que gostas, tocas-me na anca sentes meu traseiro, minha mão serpentei em torno de teu rosto e pescoço, meus joelhos não fraquejam, mas descem, minha mão segue para sul, de forma elegante e negra, sentes o toque da minha mão, a tua me ampara, toca-me no seio com elegância em forma de apoio. Sinto-te a tocar meu ombro, apertas-o e sentes os meus ossos. Subo com intensidade enquanto me viro e volto-me para ti, meu olhar deseja teu sangue, tua boca minha carne, mas afasto-me com medo de tal atracção, tua mão agarra a minha com força, fazendo com que mal me afaste de forma frenética me junte de forma ainda mais louca, minha perna esquerda se levanta prende-se em teu corpo, teu braço agarra-a com força, sentes minha coxa, pressionas-a com força, minhas costas desfalecem, mas amparas-me, ficando assim caída. Admiras o meu pescoço e o busto no pouco de fecho aberto, tua boca se aproxima de tal peça apetecível, mas não me tocas, sinto apenas a tua respiração sobre mim.
Sinto-me a subir com ordem indicada, levanto minha cara, fico assim erguida perante ti, largas-me a apenas e sigo outro destino. Deixo-te assim sem me ver, apenas me sentes, vês as minhas mãos a dançarem pelo teu tronco, estas não param, balançam, serpenteiam como se não tivesse ossos a suportar tais apêndices, levanto teu pescoço e lentamente com passos lentos e pesados apareço perante ti, mas tal calma é esquecida com a tua força, agarras-me na anca e puxas-me com intensidade, meu corpo roda, quase que cai, fico assim a tua mercê, ergo minha perna direita, expondo-a a plateia, teu rosto desce, sorris com maldade, meu olhar se intensifica. Afasto teu ombro e logo me levanto tentando fugir de ti, mas não me deixas, minha mão é agarrada por ti e sinto-me projectada ao teu encontro, tuas mãos tocam-me nas costas, nossos pés cruzam-se fazendo assim nossos corpos rodopiarem no meio da multidão, apesar de parecem imóveis.
Tuas mãos seguram-me, fortes, mas não deixam de sentir tal feminidade.
Logo me afasto, sem te largar levantas teu braço, danço sob ele, tu caminhas com elegância, aproximo-me de ti, dás-me tua mão e segues o caminho, fazemos a nossa valsa, olhar penetrante, toques fortes sorriso maldoso, sorriso de paixão. Deixas meu corpo cair, não tenho medo, balanço assim minhas costas, minha cabeça caída, meu olhar fechado, mas sinto a tua intensidade, levantas-me com glamour, sinto-me bem, próxima de ti, meu corpo sente o teu calor, assim como o teu desejo.
Voltas-me, deixando mais uma vez meu traseiro junto a ti, caminhamos de lado, meu rosto voltado e olhando para baixo, vejo a tua mão, sinto o teu respirar intenso e calmo, estranha esta sensação, este desejo, esta dança, nossos corpo seguem um destino, seguem sua vontade.
Os olhares são estranhos, perplexos com tal movimento, tal desejo. Volto-me novamente para ti, a música quase que acaba, rodo em teu torno, rodopias-me o corpo, caio sobre o teus braços, tua mão segue minhas linhas do corpo, rosto, pescoço, busto, cintura, anca e coxa, agarras-me na perna, não me queres deixar, minha mão segura-te o rosto, meu olhar brilha e agora já sabes que brilho é esse, paixão, a paixão mais simples que existe, em que apenas numa dança se transmite, nossos corpos dão sinal da respiração, aproximas tua boca à minha, sinto os teus lábios sobre os meus, sinto o sabor, a macieza, a carne dos mesmos, desejo realizado.
Largas-me com calma, sobes-me com jeito, meu olhar não é intenso e o teu é apaixonado, assusto-me com tal acontecimento, com tal ritual de acasalamento, tal beijo, tal olhar e afasto-me com calma enquanto te agarro, mas logo te deix,o volto minhas costas e fujo de tal paixão.

Sunday, December 5, 2010

roubas-me a alma


Corro pelo bosque, tenho medo, medo de ti, ser que me fascina, ser que me atormenta, ser que me mata.
Escondo-me entre os arbustos mas sentes o meu cheiro, medo, desejo, tesão e pavor. A minha respiração é ofegante, temo-te mas também te quero, mas fujo, fujo do meu destino já traçado, caminhas com calma e sem pressas, pois por muito que fuja, que corra e me esconda tu encontras-me, sorris com malícia, sabes que te vais alimentar de mim, tento fugir, largo meu casaco de malha e mando-o para longe, segues com o teu rosto, sentes o meu cheiro, afastas-te por instantes e pegas no casaco cheiras o com intensidade, sabes que estou perto e o desespero só te excitou mais, sentiste o cheiro no meu casaco, apertas o com força, sentes o meu cheiro desejas-me ainda mais, anseias por mim, eu corro e sinto os teus passos próximos corro e choro, já não escondo o meu som, sei que me vais apanhar, grito que não, peço que pares, mas não paras, cada vez andas mais rápido e sorris mais, sentes-te perto de tua presa, do teu alimento, de mim. Corro e fecho os olhos não me quero ver ser capturada, sinto o meu braço preso e meu corpo lançado sobre um corpo frio. Abro os olhos e vejo o teu olhar, olhar esse que outro ora me fez apaixonar. Sorriso que aterrorizante que em tempos admirava, tento me afastar, dando passos para trás, deixas-me andar, encosto-me a uma árvore já velha, seus ramos se fecham deixando-me assim sem saída, presa para ti, ali estou eu a tua mercê, tocas-me na face, desces até ao pescoço, sinto a tua mão gélida e arrepio-me, suspiro, medo tesão não sei, só sei que não quero estar aqui, não quero sentir isto, não te quero, quero, mas não te posso ter, fazes-me mal, aproximas a tua boca ao meu busto, beijas-me com calma o seio, despes o meu vestido, rasgando-o com calma, vês assim o meu corpo exposto, pronto para ti, tremo, frio, medo desejo, tudo percorre o meu corpo, o choro não para, peço que pares, mas tu ris-te, não falas, apenas te ris, tuas mãos percorrem o meu corpo, teu corpo faz com que minhas pernas se abram e fico assim pronta para a penetração, mas não quero, sentes o meu desejo, mas é falso, eu não quero, tento mexer meus braços, mas estão presos, o máximo que consigo que te tocar ao de leve e isso sabe-te bem, tento te arranhar mas isso faz-te olhar para mim de forma ainda amais lasciva, imploro quase sem forças, peço que pares, peço que me deixes.
Tuas mãos perdem-se no meu corpo amedrontado, no meu cabelo despenteado, no meu rosto encarnado, apertas-me o corpo, mordes-me o pescoço, beijas-me os seios, apertas-me as pernas, imploro que pares, gemo de prazer mas peço que pares, peço que não me mates, imploro por minha vida mas riste, olhas-me e sinto que esta na hora, sinto a tua mão afastar, imploro que não, peço que não, sacas do teu punhal, sinto o seu frio sobre o meu corpo, sorris e beijas-me e eu grito que não, peço ajuda imploro por misericórdia, mas mais eu grito mais tu gostas, mais te excitas, afastas o punhal em forma de balanço e olhas-me com intensidade mortal, eu choro, tento escapar mexo-me sem efeito e a tua mão se aproxima frenética eu grito de forma estridente, os pássaros levantam voou, os corvos anunciam minha morte, árvores escondem o seus rostos, lobos correm para longe, as pedras viram costas e tu vens com tua mão frenética, sinto o frio da espada, rasga-me a pela perfura-me a carne, desce para abrir mais a carne delacerada, o sangue escorre e tua boca bebe, tua mão saca-me o coração, olhas-me ainda com vida e mordes o meu coração, comes o assim a minha frente, meu corpo fica pálido e ainda mais frio, meu olhar perplexo e inanimado.